Locomover-se desse jeito é cansativo e lento, mas sei que não existe
outra maneira consciente de avançar. Metrôs oferecem idas e vindas às
cegas. Mantém nossas evoluções escondidas no subterrâneo. A gente não
consegue enxergar o que há entre um desgosto e um perdão, entre uma
mágoa e uma gargalhada, entre o que a gente era e o que a gente virou.
Não tem sido fácil, mas sinto orgulho por ter aprendido a atravessar, em
plena luz do dia, o que em mim é sombrio e intricado. Não me economizo
mais. Me gasto.
Martha Medeiros
Nenhum comentário:
Postar um comentário